Cinema


Excelente o filme que assisti hoje.
“The wind that shakes the Barley”.
Uma frase do Damien, personagem do irmão mais novo:
Tenho certeza do que sou contra, mas não estou certo do que quero.
Qualquer semelhança com os dias de hoje aqui não é mera coincidência.
Imperdível o filme.

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Lindo, poético e denso o novo filme do Cacá Diegues.
É também um retrato da miséria do país, contrapondo um imenso lixão na periferia urbana com hotéis de luxo, Ministério da Ciência e Tecnologia com crianças-vapores do tráfico de drogas.
Maravilhosa trilha sonora, com linda canção inédita do Chico (o poeta, não o lulista). Um rap de autoria do Cacá.
Se eu fosse Ministro, como é o Gil, seria exibido em horário nobre. Ou quem sabe até no horário da “propaganda política” obrigatória. Do PT.

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Copiei e colo aqui um artigo excelente do CONTARDO CALLIGARIS publicado na Folha de ontem, 14/09/2006.

“Assisti a “O Maior Amor do Mundo”, o filme de Cacá Diegues que estreou na sexta-feira passada. Cacá Diegues é o grande cineasta naïf do cinema brasileiro. O que quer dizer naïf?
Pela definição do “Aurélio”, naïf se diz da arte que é “desvinculada da tradição erudita convencional e de vanguarda, e que é espontânea e popularesca na forma sempre figurativa, valendo-se de cores vivas e simbologia ingênua”. A definição é boa, mas precisa de dois acréscimos: 1-) a palavra “ingênuo” vem do latim e designa, antes de mais nada, quem nasceu livre, sem servidão nem escravidão; 2-) há mais um traço crucial da arte naïf: um amor à “vida como ela é”, graças ao qual narrar é uma alegria, mesmo quando a história é dramática ou triste.
Esses acréscimos são interligados: a liberdade (formal, retórica etc.) é fruto do prazer de contar, que, por sua vez, é fruto da paixão de viver.
Aparte. Quem quiser verificar (ou contestar) essa definição da arte naïf pode ver o acervo do Museu Internacional de Arte Naïf (mian@museunaif.com.br), no Rio de Janeiro, na r. Cosme Velho, 561, perto do trenzinho que leva ao Corcovado.
No último filme de Cacá Diegues, um astrofísico brasileiro americanizado acaba amando uma moça (talvez duas) da Baixada Fluminense. Ele vai e vem entre um hotel de luxo e um esgoto a céu aberto. Mas o filme não transmite uma mensagem sociológica sobre os encontros e desencontros entre classes. Tampouco é uma denúncia do estado tétrico de nossas periferias.
O filme é livre dessas “obrigações” porque é animado pela vontade de contar a vida, com aquelas misérias e grandezas que são, por assim dizer, interclassistas. Os fracassos e os sucessos do amor, a nostalgia, o peso da morte iminente, o anseio por um sentido são afetos que decidem as cores de nossa existência em qualquer cenário.
É difícil falar de “O Maior Amor do Mundo” sem estragar o prazer de quem ainda não assistiu ao filme. Posso propor alguns comentários, deixando a cada um a tarefa de relacioná-los com a história, quando ela se desvendar.
O filme me comoveu porque toca numa verdade que todos sabemos comprovar, a cada dia: nossa capacidade de amar (uma parceira ou um parceiro, os filhos que tivemos ou gostaríamos de ter, o próximo em geral) depende sempre do quanto e de como fomos amados.
Um filho pode ser, para um dos pais, o lembrete da derrota do Brasil no jogo fatídico contra o Uruguai, na Copa de 50, ou, pior, o símbolo da perda irreparável de um outro ser amado. Em certas condições, um filho pode também ser, para um dos pais, o resultado da infidelidade do outro. Não há carinho que adiante: para o filho, o lugar que ele ocupou na história dos pais é sempre um fardo decisivo.
Outro aparte. Hoje, a lei admite o aborto para salvar a vida da mãe: é para não condenar quem nasce a ser o representante da morte de sua própria mãe e, para o pai, o monstro que matou a mulher que ele amava. A lei também admite o aborto em caso de gravidez decorrente de estupro: é para não condenar quem nasce a ser, aos olhos da mãe, o representante da violência que ela sofreu. Que a gente concorde ou não, o que importa é que o legislador, nesses casos, não se preocupa com os pais, mas com o próprio destino do nascituro.
Voltando ao filme: Antônio, que não pôde ser amado na infância (por razões que o espectador descobrirá), não sabe amar ninguém. Na iminência da morte, ele sai à procura da única pessoa que talvez o tivesse amado (sua mãe biológica). É uma procura de alto risco, pois, salvo revelações (o filme tem algumas em reserva), a mãe biológica é, em princípio, quem abandonou seu filho.
A beleza da história contada por Cacá Diegues é que Antônio não procura o amor que não teve como uma consolação no fim de sua vida. Ele procura porque, quem sabe, ainda dê tempo para aprender a amar (uma mulher ou o filho que, até então, era impossível que ele tivesse). O maior amor do mundo é provavelmente o amor materno; não porque uma mãe amaria mais do que um pai, um companheiro ou uma companheira, mas porque o amor da mãe é o amor que melhor pode nos ensinar a amar.
O filme é uma parábola, livre e alegre, sobre essa verdade. Em prêmio, uma sugestão: talvez a vida encontre seu sentido como um aprendizado do amor -aprendizado que pode ser longo ou repentino, da última hora. ”

Imperdível!!!

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“– É tão fácil andar por aí fazendo de conta que nada está acontecendo!”

Copiando uma frase da protagonista do filme Zuzu (lembrada pela Cora Ronai), expresso meu espanto em ver nas pesquisas qual o candidato (não sei por qual partido, não fala nas propagandas) que está na frente na corrida presidencial.
No filme, anos 60, o país mergulhado em um período negro. Uma mulher, mãe, estilista famosa que costurava para madames, acaba se tornando uma pessoa difícil de engolir pelas “autoridades”, depois do desaparecimento de “Paulo”. Algumas cenas maravilhosas:
- Desfile em Nova York, ela de luto com o retrato do filho nas mãos.
- O encontro com o pai do Lamarca. Ele mudo, sangue escorrendo no canto da boca.
Apesar de ter ido meio que cabreiro com o filme, pé atrás mesmo, achei genial e extremamente sensível. Dói e faz chorar. Imperdível mesmo.
Aí volto a frase da Zuzu.
Como é que pode um governo (e um partido) que foi qualificado de quadrilha por um procurador-geral indicado pelo próprio partido estar disparado na frente nas pesquisas?
Dirigentes do partido e ministros de governos foram “demitidos” e irão ficar por mais 4 anos?
Culpa de quem?
Da elite branca? do povão? da (omissão da) oposição? minha?
Questões sem resposta para mim.
Só não consigo fazer de conta que nada está acontecendo.
Arrrrrrrrrrrrrrgh!

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